eu não vou, não vou, não

não vou voar, quero ficar

dentro de mim.


não temo a minha solidão

lá no escuro que há em mim

há o meu lugar.


quero migrar

alçar vôos, mas sem sair

desse meu conforto

desse meu lugar

cair abatido

morto.


por isso, escolhi

mergulhar.


( por Giovani Miguez, em Mínima Poética )




lendo meus esboços


há na consciência

borboremas

nunca visitadas, mas onde

despejamos pensamentos

fragmentos

poemas

não declamados

amores não revelados

dilemas

desencorajados.


sob tais rejeitos

vão se depositando

sedimentos

que vão apagando

miasmas

deformando

nossos fantasmas.


em tais borboremas

a consciência, teimosa

vai desenhando

tudo aquilo que ignoramos

moldando

de forma tão preguiçosa

aquilo que rejeitamos

tentando

entregar à queima

das memórias.


mas, não tem jeito

pois os anos vão se passando

no peito

os fantasmas

vão incomodando

alimentado

pelos miasmas

enterrados

no recôndito

das borboremas.


( por Giovani Miguez, em Mínima Poética )