pelos dez anos de cárcere


Longe, muito longe,

uma luz vem atravessando

a escuridão.

É uma estrela morta

ainda nos iluminando

com seu clarão.


Eu, como um monge,

à soleira da minha porta

estou contemplando.

A estrela já morreu

e, morta, ainda resiste.

Mas, e eu?


Não estou morto,

apesar de estar morrendo

aos poucos.

Aprisionado,

vou perdendo luz, sendo,

aos poucos, apagado.


por Giovani Miguez, em Poemáticas.


Foto ilustrativa

I.


Tropeço em

vírgulas, retiro

teu ponto final.

E, sobre ti, espalho



II.


É justaposição,

quando o beija-flor

beija a flor.

Quero um amor aglutinado.


...

Mayanna Velame é formada em Letras – Língua Portuguesa / UFAM e vive na cidade de Manaus. É autora do livro Português Amoroso. Escreve periodicamente contos, crônicas e poemas para os sites literários: Texto de Garagem, Revista Vicejar, Conexão Literatura e Corvo Literário.



Mayanna Velame, poeta amazonense.


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#poesiabrasileira #escritaautoral #poetacearense

Minhas bodas de zinco ou estanho no serviço público


Neste dia, há exatos dez anos, iniciei um dos capítulos mais importantes e dramáticos da minha vida. Eu, formado em gestão pública, com extensão em jornalismo de políticas pública e especialização em sociologia enfim seria servidor público federal ocupante de um cargo que, em tese, teria tudo a ver com minha formação. Era um sonho!


Dez anos depois, cansado e esvaziado por um desalento que corta, vejo diante de um abismo existencial, um apagamento moral e uma completa fata de reconhecimento profissional. O sonho, desde o início, prometia ser pesadelo. Mas, vamos construindo a crença que no ano seguinte as coisas vão melhorar; e elas não melhoram, elas se transformam, mas é ilusão acreditar que transformações são, em si, boas. Não são. Não têm sido. Não no meu caso.


Diante desse cenário de desolação, os conselhos mais frequentes são: "extraia uma lição disso" ou, pior, "tudo na vida tem um propósito". Há os que insistem que o "importante é o legado". Mas, como? - pergunto. A sociedade, os políticos, a imprensa nos odeiam. Somos tratados como peso, indolentes, preguiçosos, parasitas! E, pasmem, os servidores também se odeiam e, esse ódio fez com que dos dez anos em atividade, oito deles fossem um inferno, um jaula, uma luta.


Lute diriam alguns! Mas lutei. Lutei muito por reconhecimento. Como lutei! Mas cansei. E com o cansaço veio o desalento, a dor, a tristeza e a depressão. Sei que sou um privilegiado. Sei que estou num lugar que boa parte das pessoas (inclusive as que nos atacam) queriam estar. Mas, a visão de quem está de fora e de boa parte de quem está de dentro é romântica ou deturpada.


Você pode até achar que ninguém é obrigado a isso. Mas, é justo que se abra mão de um sonho, de uma vocação ou de uma carreira por que a sociedade, os governos, os políticos e boa parte dos próprios parceiros não entendem ou reconhecem o seu papel social enquanto servidor?


Meus dez anos como servidor público foram dez anos de insana e, talvez, vã busca por reconhecimento da minha formação e da minha condição. Eu realmente não vejo como comemorar. Talvez por isso dez anos sejam a comemoração de bodas de zinco ou estanho, ambos metais pesados e tóxicos.


Peso e toxidade definem esses meus dez anos.


(precisava desabafar isso hoje)


G.Mgz