em repúdio a Sérgio Camargo


Dois homens conversam no café enquanto tomavam uma média com mais leite que café regado de açúcar refinado. O tom da conversa:


– Se eu morasse em SP, votaria naquele negrinho da Fundação Palmares que se acha branco .


– É? Mas, por que faria isso? – retrucou o amigo.


– É bom ter um desses pretos do nosso lado dizendo umas verdades na cara dos vagabundos que acham que só por que seus antepassados foram escravizados temos alguma dívida com eles. Eu não escravizei ninguém.


– Pois é, fica menos feio quando um deles está do nosso lado.


É a síndrome do capitão do mato. É uma estranha mistura de doença e mau-caratismo que assola aquele tal do Sérgio Camargo e que, infelizmente, reverbera entre uma parcela significativa de cidadãos afrodescendentes.


Assisti tudo aquilo com profunda tristeza enquanto tomava meu café preto, mas amargo.


***


ERA NEGRO, MAS RACISTA!


era racista.

mas, dizia-se negro não vitimista!

nasceu negro, mas embranqueceu

e, uma vez branco, se esqueceu

que seu povo, nas mãos do europeu

padeceu.


era racista.

mas, julgava-se um negro livre!

nasceu negro, mas sua prisão

era ser o capitão

do mato ideológico

tentando representar a senzala

na próxima eleição.




#giovanimiguez

#sigaapoesia


GLOSAS PRELIMINARES


01 | ACÚMULOS


Eu acumulo meus poemas para não acumular dúvidas, dívidas, dilemas e problemas. Ainda assim, apesar desta expectativa toda, está tudo ali, dentro de mim.



02 | SÓ QUERO EXPRESSAR


Não quero, enquanto poeta, explicar nada, pois vim ao mundo apenas para expressar este caos que sou. Talvez por isso, só me resta a expressão, sem qualquer outra pretensão.



03 | ALÇAPÃO DAS CONTRADIÇÕES


O desafio de um poeta é conseguir abrir o alçapão de suas contradições e nele encontrar as condições ideais para as expressar seus senões existenciais.



04 | ALCATRAZ DO INCONSCIENTE


Um sonho recorrente e medonho me acompanha. Retorno ao passado que acreditei ter trancafiado na Alcatraz do meu inconsciente; mas, insistente, ele se impõe e não me deixa em paz.



05 | RETORNO AO PASSADO


Sempre que retorno ao passado, seja em sonho ou em devaneio, percebo que tudo lá mudou, pois volto sendo quem sou. Ainda assim, sinto que estou aprisionado ao menino que lá ficou.



06 | REDUNDÂNCIAS ONÍRICAS


Nas redundâncias desses sonhos que me atormentam, há algumas instâncias ávidas de emoções, mas que talvez não tenham encontrado as devidas sendas para tornarem-se expressões.



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#sigaapoesia

#giovanimiguez


Olá!


Não te conheço e, certamente, você também não me conhece. Mas, temos algo em comum: gostamos de ler, de livros e, provavelmente, de poesia; ou estou errado?

Meu nome é Giovani Miguez. Sou poeta. Só isso, poeta. Não sei se todo o resto que sou seja muito mais interessante que isso. Mas, é a poesia que permeia todo esse resto. É a poesia que me alimenta e me faz ser um ser humano melhor a cada dia.


Ultimamente tenho me perguntado:


Por que as razões pelas quais nos tornamos tão rasos e líquidos e nossas relações? Por que nos limitamos a trocas cada vez mais superficiais? Por que paramos de trocar correspondências? Por que nossas memórias, registradas através de cartas estão cada vez mais opacas?


Estas perguntas inquietam meu espírito. Por isso, resolvi empreender um desafio pessoal: procurar pessoas dispostas a dedicar algum tempo da sua vida a essas trocas de correspondências. O que acha? Toparia esse desafio?


Caso tenha interesse, basta enviar um e-mail para giovanimiguez@gmail.com, falando sobre qualquer coisa que desejar, puxando o papo. Dedicarei um pouco do meu tempo para responder às cartas que chegarem.


Vamos tentar? Espero sua carta.


Fraternalmente,


Giovani Miguez

#sigaapoesia



Se preferir, se você for um escrevinhador à moda antiga, você pode mandar sua carta pelo correio, basta solicitar meu endereço pelo e-mail.