o poema —


o que ele faz

quando teima?


além de trazer paz,


ele também nos faz

lembrar do dilema

deveras contumaz

que é viver o anátema

que a realidade traz.


o poema —


às vezes, ele traz

um filosofema.


(para Cristina Santos, pelo insight! )


por Giovani Miguez, em Propositum.



Na solidão do céu,

vou desenhando meu papel

neste mundo cruel,

cheio de fel.


Contemplo as nuvens

que passam.

Contemplo as aves

que passam.


Olho ao redor.

Tudo é tão belo e colorido.

Mas, é fétido o odor

que sinto. Tão dolorido.


As nuvens passaram

levando com elas a chuva.

As aves passaram

deixando a vida mais turva.


Eu, poeta, vou

no céu, folha em branco,

sem nuvens, sem aves,

buscando quem sou.


Mas, não acho...


por Giovani Miguez, em Poemáticas.




1. Canção


Arde no meu peito

A dor da primavera,

A dor de uma semente

Que quer romper a casca,

Que quer brotar da terra.


Queima no meu ventre

A chama louca e cega,

A chama incandescente,

Que torna tudo claro ,

Que torna a vida bela.


Há uma vontade imensa

De abrir as janelas do infinito,

De rasgar os limites do possível

E ser mais, muito mais do que o permitido.


Vai, canção!

Traz, do além, meus desejos mais bonitos,

Traz o amor, que a tudo dá sentido,

Traz a força que ultrapassa a razão!

Vai você, que é muito mais do que eu,

Que pode mais,

Que voa mais,

Canção!



2. Folheando


Livro de figuras de bichos, pura ilustração,

Atiçava a mente do moço-menino João.

Vivia folheando suas tardes, não tinha amigos não,

E a Massaranduba, seu moço, era esboço de canção.

Livro de livros ia no braço, o da religião,

Que pra muita gente, ainda serve de alfabetização.


-Que letra é essa, mãe?

-É "a", meu filho.

-Que letra é essa, mãe?

-É "b", meu filho!

-E esta outra aqui?

-João, pára com isso!

-João, não pára com isso!


Vem a traça e come a passa,

Faz a massa na pirraça.

A onda encaixa e o mito exala revolução.

Vem a fala e toma a praça,

Faz a massa na pirraça.

A onda incita e o livro inspira a Revolução!



3. Sonho Baiano


Sonho, ah, que sonho!

Tão simplista, singular, risonho,

Ao redor de um parâmetro

Traçado a ferro e fogo,

Transitório e estranho.


O horizonte é ilha de encanto,

Canto tímido ao léu.

Ergo o olhar, vejo mais, sinto paz.

Turistas ao lado,

Dialogando seus fardos, seus ais,

De outrora, da fome,

Das eras primordiais,

De tanto pensar.


Corpos feitos de sonho,

Intensos a caminhar.

Os espaços são amplos,

Cerveja à beira-mar.

Veja sem julgar.

O traço é fino, o amor é lindo.

A vida é um sonho baiano,

Errôneo, pesado e mínimo:

Areia e estar.


Se há pecado ao sul do equador,

Só fará sentido o olfato que beijar o ardor,

E só fará sucesso quem rimar amor e dor.

Que todas as fragrâncias se misturem!

Que todas as dores, somadas, se curem!

Pois quando todos os incensos de amores perduram,

Aparece a flor.



4. Cacos de Vidro


Quando me apaixonei por teu sorriso,

Na mesma noite, tive um quase-sonho:

Abria um mar de vidro,

Entrava no teu mundo,

E cacos de amor cortavam fundo.


Eu, já desacordado, achei meu rumo

Na força lancinante do teu beijo.

Hoje eu (de um ego imenso)

Envolto em teu silêncio,

Me calo e me entrego ao teu desejo.


E quando o amor-rotina entrar em cena,

Transformando em prosa livre este poema,

Que o sonho vire lenda,

E os cacos, virem taças,

Brindando o amor que enfim, valeu a pena.



5. Estradas da Razão


No final daquela tarde,

Livre de qualquer maldade,

Aprendi os versos desta canção.

Sei que a oportunidade é comadre da vontade,

E sem elas não tem samba, não.


Eu sei quantas estradas caminhei,

Quantas sementes já plantei,

Quantas ideias eu deixei passar,

Quantos segredos já guardei,

Quantas histórias já contei,

Conto as estrelas que eu quis ofuscar.


Da certeza e do destino,

Trago apenas os caminhos,

E a surpresa deste alvorecer.

Se encontrar algum sentido,

Correrei o grande risco

De ser mais do que propunha ser.


...


João Macambyra é nascido no Recôncavo Baiano, em Castro Alves /BA, mudou-se para Salvador, onde cresceu e começou a desenvolver a vocação para a escrita e a composição musical. Viveu em 15 cidades, algumas delas no exterior, sempre cantando e se acompanhando ou acompanhado por músicos. Atualmente, reside na cidade de Jundiaí /SP, atuando na pré-escola e no ensino fundamental, no ensino da língua inglesa. É cantor-autor e já participou de festivais no Brasil e nos EUA, e apesar de não mais ser um ofício, sempre que surge a oportunidade, se apresenta nos barzinhos da vida.



João Macambyra, de Salvador, radicado em Jundiaí, SP.


...


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