Jyotisha


um objeto no céu

corta meus devaneios.


um objeto no céu

cativa-me em meus passeios.


no céu, firmo

minhas devoções.


no céu, confirmo

minhas inspirações.


no céu, a cartografia

de uma ciência.


no céu, uma fotografia

da consciência.


no céu, desenhos

mitológicos se formam.


no céu, sou Teu

ainda assim, sou Eu.


( por Giovani Miguez, em Restauros )



Imagem: Dharmawiki.

para Danillo Bagança


a noite olhava a lua. a lua, as estrelas. estas, aos milhares, tingiam o céu com magia e alimentavam o mundo com a poesia. os homens, encantados, imaginavam e ao imaginar criaram histórias, mitos e alegorias. tudo porque o fenômeno estava ali, era real e esperava ser explicado por alguma narrativa. a homem, para isso, inventou a linguagem, a arte, a ciência e a religião. entretanto, excedeu o homem, e por excesso de criatividade, multiplicou linguagens, artes, ciências e religiões. no fim, descobriu-se que não era só criatividade, ímpeto de dominação. o homem, no embalo deste ímpeto inventou o poder. pelo poder moveu-se, subjugando o símbolo como mera tecnologia, legando para segundo plano a poesia, sua mais nobre magia. o homo poeticus, entretanto, sobreviveu. a magia não morreu, pois do firmamento nasceu.


( por Giovani Miguez, em Restauros )




na companhia de Alfredo Bossi


li cartas, contos e crônicas

li Água Viva

tão clara sua poética

suas palavras lacônicas

sua estética

única

uma dádiva.


quando li Clarice

senti uma fúria avassaladora

como se o mundo novo se abrisse

para sua prosa poética

fundadora

de um salto entre o psicológico

e o metafísico.


é profunda

sem aprisionar no factual

insólita

na sua consistência

em entregar-se ao caudal

à consciência.


( por Giovani Miguez, em Restauros )