observando a revoada, ainda não revoltada


eram livres os pombos?

não sei. sei apenas que hoje

não mais o são.


foram escravizados

retirados de sua terra mãe

explorados.


depois, veio o progresso

eles, coitados, não faziam mais

sucesso.


eis que largados

foram ficando, abandonados

sem qualquer função.


hoje, são enxotados

vivem das migalhas que caem

no chão.


chamam isso de abolição

mas, não é não.


( por Giovani Miguez, em Mínima Poética )




lendo Thomas Mann


desde cheguei ao alto

da sua montanha

minha mente, de salto em salto

de conto em conto

alçando uma estranha

vontade de trilhar alguns

caminhos.

entre preocupações existenciais

vejo-me atado às ocupações

tão triviais:

a arte

que, em toda parte

enseja a vida;

a morte

ou mesmo a doença

essa nossa sorte;

o trabalho

esse meio de estar no mundo;

a cultura

esse talho - onde o indivíduo

torna-se sociedade;

tanto atalho!

tanta sutura!


(para Giovani Miguez, em Mínima Poética)


Thomas Mann: 1875-1955 - Nobel de Literatura em 1929.

quando meu pai partir

com ele, partirá

meu mártir.


quando minha mãe partir

com ele, partirá

meu mártir.


o mártir sou eu,

esse humano

que não entendeu

que perdoando

é possível construir

um futuro seu

superando

o que aconteceu.


( para Giovani Miguez, em Mínima Poética )