Barbie boy!

Atualizado: 28 de Nov de 2020


( crônica )


Meu filho gosta da Barbie. Todo pai que tem filha sabe quem é a tal boneca e, provavelmente, já assistiu muitas vezes o desenho. Eu também sei. Mas, não tenho filhas, apenas dois meninos. Meninos que curiosamente não curtem Vingadores, Liga da Justiça e essa coisas estranhamente consideradas de meninos. Ben tem sete anos e já gostou da Moana, da Elsa, da Polly, da Tainá, da Vera e outras que eu provavelmente não me recordo. Leo, seu irmão mais novo tem três anos e, é claro, segue nessa onda "Barbie Boy" do irmão.


Carol, minha esposa, e eu não vemos problemas nisso. Muito pelo contrário. Vemos claramente que esse tipo de influência põe nossos filhos em contato com o feminino de uma maneira muito positiva. Dá gosto ver como as heroínas e personagens atuais são mulheres empoderadas, atualizadas e que não estão à espera de um príncipe encantado. Vão à luta. Enfrentam os desafios.


É claro que essa relação moderna com as mulheres gera alguma apreensão. Calma! Não estamos falando dessa apreensão homofóbica que, talvez, um leitor mais conservador e preocupado com os tais "valores da família brasileira, cristã e de bem" pode estar pensando. Aqui em casa não há esse tipo de apreensão. Por duas razões: primeiro, pois não acreditamos que a homossexualidade ou a transexualidade surja desse tipo de contato dos meninos com personagens e referências femininas. Segundo, pois não está em nosso radar essa preocupação sobre a sexualidade dos nossos filhos, pois simplesmente acolheremos quaisquer sejam as condições dessa sexualidade, quando isso ocorrer.


Voltando ao gosto do Ben pela Barbie e suas relações afetivas com o feminino, percebemos claramente como essa influencia feminina oferece ao nosso menino um jeito afetuoso e sensível de lidar com o feminino, seja esse feminino parte dele, de seu próprio arquétipo e, parece bastante óbvio, seja esse feminino um estímulo ao seu modo de se relacionar com as mulheres, desconstruindo nele qualquer resquício de machismo que há em seus ancestrais e, sobretudo, em mim e em sua mãe. Afinal, fomos criados dentro de uma cultura machista.


A apreensão, é claro, reside unicamente no modo como os coleguinhas de escola lidarão com isso. Mas, felizmente (sim, há um lado bom nessa pandemia), esse tempo que estamos em isolamento social e não ter aulas tem oferecido a nós uma oportunidade única de construir mecanismos para, quando for o momento lidar com isso.


Por hora, seguimos aqui em casa curtindo esse modo interessante e delicioso de ver nossos filhos entrando em contato com o feminino, com esse novo feminino que luta para se libertar das heranças daninhas de um patriarcado opressor.


( por Giovani Miguez )




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