Carta ao Zé

para José Huguenin


poeta, irmão de ofício,


hoje deitei-me no teu verso,

e confesso,

lembrei-me de cada dia perverso

que vivi na minha curva do rio,

onde hoje estou tão distante,

mas não deixo de ter saudade

em nenhum só instante,

olha que desvario.


não é difícil entender, afinal,

na cidade dos fornos em brasa,

onde deixei minhas raízes,

será sempre minha casa.

apesar dos muitos matizes,

a curva do rio foi seminal

para fortalecer minhas asas,

tornar-me esse poeta existencial.

agradeço a ti, irmão,

por ter cunhado com tua pena

tão belos poemas

sobre esse "tempo ruim"

que hoje ecoa em mim.


gratidão por Koiah, Outramargem, 2019.


( por Giovani Miguez )





12 visualizações