Ciência Poética

Um breve ensaio-poema.


o sono é uma oportunidade de descanso,

mas também de intimidade com o nosso inconsciente.


hoje, quando despertei do “cochilo” da tarde,

uma avalanche simbólica me soterrou.


acordado, sonhei lembranças

de uma perturbadora realidade onírica.


um vislumbre, ainda que turvo,

do que poderia ser uma ciência poética.


***


para poética ser, não basta ser expressão,

deve comover, sensibilizar e sentimentos despertar.


a poesia, para muito além do poema, é mais que literatura,

é arte que encanta e inspira a busca pela sublimação.


dos mais tristes aos mais alegres, em qualquer cultura,

a vida em todos os seus momentos, busca a poesia expressar.


não importa se prezo ou desprezo o viver,

a estética da poesia contempla do nascer ao morrer.


o poeta, quem diria, nada mais é que um solitário,

que na solidão que habita, elabora seu corolário.


eis, talvez, a tese da ciência poética:

toda a percepção da vida é integralmente est(ética).


a poesia é um fenômeno que da nossa humanidade emana,

sendo assim, a poética, é uma ciência da percepção humana.


mas, como toda ciência, qual é o objeto da poética?

a expressão da poesia humana, ética e estética.


assim ousei demonstrar sem qualquer anátema

a tese da ciência poética, neste breve ensaio-poema.


(De "Animal Poético", no prelo)




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