derivações do firmamento

para Danillo Bagança


a noite olhava a lua. a lua, as estrelas. estas, aos milhares, tingiam o céu com magia e alimentavam o mundo com a poesia. os homens, encantados, imaginavam e ao imaginar criaram histórias, mitos e alegorias. tudo porque o fenômeno estava ali, era real e esperava ser explicado por alguma narrativa. a homem, para isso, inventou a linguagem, a arte, a ciência e a religião. entretanto, excedeu o homem, e por excesso de criatividade, multiplicou linguagens, artes, ciências e religiões. no fim, descobriu-se que não era só criatividade, ímpeto de dominação. o homem, no embalo deste ímpeto inventou o poder. pelo poder moveu-se, subjugando o símbolo como mera tecnologia, legando para segundo plano a poesia, sua mais nobre magia. o homo poeticus, entretanto, sobreviveu. a magia não morreu, pois do firmamento nasceu.


( por Giovani Miguez, em Restauros )




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