Duas reflexões do poeta

Pai-poeta


Disseram certa vez que eu deveria escolher entre filhos e livros. Os dois seria inviável. Por um tempo acreditei nessa bobagem.


Entretanto, a paternidade tem me ensinado coisas que livro nenhum poderia ensinar. Uma delas, o valor do instante, do amor inocente, ingênuo e ainda assim avassalador.


A paternidade tornou-me poeta, a poesia um pai melhor. Entre o pai é o poeta há os livros, minha compulsão por eles e essa pulsão epistêmica que me inquieta.


Amo meus filhos e mesmo quando o pêndulo existencial oscila entre as dimensões ternura e tortura que ser pai em meio ao caos que a situações da vida impõem, ainda os amo.


Gratidão, Carol, minha esposa, por dividir comigo essa experiência divina chamada família!


Poeta-arigó


Entre livros sou livre, ainda que aprisionado em situações da vida que mais parecem labirintos.


Ainda assim, a maior liberdade acontece no encontro entre eles e a consciência de que, ainda indivíduo, sou classe.


A consciência de classe me garante um lugar de fala privilegiado, pois não importa onde vou, minhas raízes sempre estarão lá na minha origem de arigó, que nasceu lá na curva do rio, na Volta Redonda que o Rio Paraíba do Sul faz.




5 visualizações

Posts recentes

Ver tudo

Um Comunista

por Caetano Veloso Um mulato baiano, Muito alto e mulato Filho de um italiano E de uma preta uçá Foi aprendendo a ler Olhando mundo à volta E prestando atenção No que não estava a vista Assim nasce um