Giglio, poemas antifascistas


Giglio é um poeta engajado e panfletário. Faz da poesia um potente grito contra as injustiças. Seu grito poético é tão potente quanto sua ousadia militante. Giglio é um desses heróis que negam seu heroísmo e, talvez por isso, para mim, é tão heróico. Se escrevo meus poemas hoje, em parte, o faço por influência deste poeta marginal que apresentou-me a potência poética das aldravias.


Com vocês, Giglio!


TRILOGIA FILOSÓFICA CONTRA O FASCISMO!


DECLARAÇÃO DE GUERRA AOS FILHOS DE MUSSOLINI


com as unhas de Deleuze

escavo a terra

faço sulcos

onde plantarei palavras

e regarei com o sangue

das primeiras vítimas

da última segunda feira

com as unhas de Deleuze

rasgo a manhã

onde lançarei poemas

que cultivarei sem medo

dos algozes que hão de vir

com as unhas de Deleuze

feroz

rasparei as tintas de sua cara

hipócrita e amorfa

que escorra sangue purulento

da sua chaga

que escorram seus podres pensamentos

que tudo se misture

na terra suja

com minha poesia mais ácida

que assim nasçam monstros disformes

que devorem seus mitos

seus ossos suas mentiras seus votos

e vomitem flores

em sua sepultura


DECLARAÇÃO DE GUERRA AO FASCISTA DENTRO DE NÓS


dentro de nós

de mim

de você 

o monstro

eu o mato

você o alimenta

dentro de você 

o monstro

dentro de mim

anti Édipo

lá fora 

o herói 

que veio lhe substituir a glória

cá dentro

meu coração ingrato 

coragem

não amo o poder

não amo o déspota

não amo o protetor 

não amo o provedor

há perigo 

conflito e luta

e eu

eu

eu os desejo

eu os desejo

como desejo o sexo

como desejo a morte

como desejo a vida

um texto de Brecht

um de Deleuze e Guattari

sim

os desejos

são todos armas

apontadas pras fuças do fascista

e ele treme quando está sozinho

e ele treme quando vê um corpo livre

e ele treme quando o desejo é maior que o medo

e ele treme


LADO A LADO COM FOUCAULT


ou como combater o fascismo

por uma razão inadequada

para uma vida não fascista

é preciso combater o militante triste

é preciso combater o militante triste

a tristeza do instante

o liberal que enfeita a estante

e desorientar o conservador

com novos amores

sexos

odores

por uma razão inadequada

para uma vida não fascista

é preciso ludibriar os técnicos do desejo

é preciso ludibriar o psicólogo

é preciso ludibriar o psiquiatra

é preciso ludibriar o psicanalista

aquele imoral adequador de vidas

e formatador de sentimentos alheios

aquele mal intencionado

por uma razão inadequada

para uma vida não fascista

é preciso sufocar

esganar com as próprias tripas

nosso fascismo cotidiano

nosso anjo sedento de poder

nossa conduta

nossa puta que nos domina e explora

é preciso gritar com cada um desses fantasmas

e cortar a própria carne

por uma razão inadequada

para uma vida não fascista

é preciso matar cada édipo arrependido

ocultar o cadáver da cadela moral e bons costumes

matar a família e seguir assobiando

antes que nos roubem o assobio

por uma razão inadequada

para uma vida não fascista

é preciso ir ao cinema

antes de ir pra cadeia.


Giglio É poeta, alfabetizador e ativista social. Artista que joga nas onze, cruza, cabeceia e ainda defende como goleiro. Isso tudo já dá pano pra manga. Mas como não dizer que é palhaço e adora café? Instragram:: @gigliovr





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