Minorias oprimidas

três poemas em riste

para Carlos Giglio


( 1 )


parem de matar

os jovens pretos do morro,

os gays e trans que só querem amar,

as mulheres que pedem socorro,

parem de matar!


uma vida preta

vale tanto quanto a sua.

deixa dessa treta!


uma mulher

não quer o seu lugar.

deixa de ser mané!


um gay

só quer o seu lugar,

pode respeitar?


parem de matar!

( 2 )


o poema

que do morro desceu,

sambou!

você gostou.

mas, o preto que escreveu

você esculachou.


o samba é preto,

no tambor e na poesia.

portanto, nego,

deixa de hipocrisia,


o corpo preto é poesia,

é magia que dança,

mas essa pornografia

é só na sua cabeça.


preto não é minoria,

é maioria.

mas, na sua ideia torta,

para ele, toda esperança

é morta.


mira na poesia

que o samba grita

todo dia.


( 3 )


escureceram a carne negra,

porque não era grega.


jogaram na sarjeta,

só porque era carne preta.


depois tingiram de sangue,

chamaram de gangue.


os pretes resistiram,

mas vocês não engoliram.


o tempo vai passando,

o quilombo vai gritando.


esse também é nosso lugar.

parem de nos matar!


( por Giovani Miguez )




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