Nos olhos do poeta

( em Propositum )


Cansado, sentei ao computador

buscando palavras para aplacar

a dor.


Na tela, espelho.

Restou chorar?


Olho nos olhos, o velho hábito:

buscar culpados para o trágico

súbito.


Nos olhos, culpa.

Restou aceitar.


Ali, sentado, escrevi sem parar

verso por verso, até o poema

se afirmar.


Nos olhos, satisfação.

Restou relaxar.


No poema escrito, poesia fluiu

seguindo o leito do rio semântico

que se abriu.


Nos olhos, o poeta,

relaxado, sorriu,


05.08.2021





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