Os remorsos da noite

Entre os erros e os acertos, há a vida.


"Há noites que eu não posso dormir

de remorso por tudo o que eu

deixei de cometer.”


( Mario Quintana )


No dia de hoje, cometi muitos erros. Protagonizei agressões gratuitas a pessoas que amo, indiferenças desnecessárias a pessoas que não amo, excessos fortuito contra mim mesmo.


No dia de hoje, investi equivocadamente minhas economias emocionais. Apaixonei-me sem o compromisso de amar, odiei coisas, pessoas e situações por tola preguiça e incapacidade de entendimento.


No dia de hoje, entretanto, por não ter cometido erros e não ter investido equivocadamente minhas economias emocionais, não vivi e, não vivendo, não aprendi.


Creio que era desse “deixar de cometer” que Quintana falava. Deixar de cometer é deixar de viver, pois no ato de viver está implícito o acerto e o erro. É vivendo o erro que poderemos abraçar nossos acertos. Não se pode ter uma vida de acertos sem alguns erros para purgar a existência.


Quando deixei de cometer, vivi uma vida árida, de falsa perfeição e, portanto, passível de remorso.


A tessitura da vida é ser uma escultura que se forma caldo da cultura. Não se iluda, não há vida pura, vida sem amargura.


Por isso, o deixar de cometer nos mói a alma, nos rouba o sono.




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