Pobres e igrejas

Não sei, mas vejo igrejas na mesma proporção da miséria que se prolifera no entorno desses mercados de fé. Talvez por isso eu tenha perdido o que restava da minha.


A impressão que tenho é que é preciso pobreza para que a fé prevaleça entre os que estão atormentados por tantas incertezas. Ela faz a miséria ter alguma beleza, ao menos para quem quer demonstrar não ter avareza.


A caridade, essa irmã caçula da piedade, parece romantizar essa condição milenar: a desigualdade entre quem vive e quem sobrevive. Talvez por que ela amorteça uma condição humana essencial: a justiça social.


Não sei, mas parece que os ricos amam a pobreza, pois nutrem essa atitude nobre de manter os pobres sob essa condição desumana de não ter o que comer. Assim amenizam sua culpa. Ao menos perece ser uma boa desculpa.


Eu queria muito que o mundo tivesse menos igrejas. Quem sabe assim teríamos menos pobreza.


( por Giovani Miguez )




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