Poemas aos meus avós


DONA LOURDES


Minha avó é viva,

uma idosa atrevida.

Apesar dos apertos

ganhou a dádiva

da vida longa.

Para quem é pobre,

viver muito é uma afronta.


Ela não sabe ler.

Talvez não soubesse nem viver.

Mas, a danada bem que aprendeu

que na vida que Deus lhe deu

bastava apenas sobreviver

para ver a prole crescer.

E ela viu!


SEU JOAQUIM


Meu avô paterno,

quando foi estar com Deus,

não foi enterrado de terno,

foi bem simples o seu adeus.

Morreu como viveu.


Viveu muitos anos,

viu seus filhos, seus netos

e alguns poucos bisnetos.

Mas, não fazia planos,

pois gente pobre

vive dia após dia,

até que um dia descobre

que viveu mais que podia.

Vovô se atreveu

e viveu!


DONA ELVIRA


Não conheci

minha avó materna.

Foi-se embora

no fio de uma foice.

Era jovem, como sou agora.

A tragédia que a tornou eterna

fez que dela toda lembrança

fosse doce e terna.

Apesar do derradeiro coice

que deixou órfãs seis crianças,

vovó só pode ser lembrada

pela vida que lhe foi ceifada

pelo homem que a acompanhava.


SEU PEDRO


Vovô nos deixou

quando eu ainda era bebê.

Ainda assim, tenho recordações

da profunda tristeza que o marcou,

da tragédia que ele protagonizou

num rompante de emoções.

No fio de sua foice

seu existir foi marcado

por um triste acontecimento,

por um provável arrependimento.

Aquele triste momento

marcou muitos corações,

mas pelos filhos

foi perdoado.


por Giovani Miguez


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