Poesia crônica

uma crônica sobre minha poética


Quando dei por mim, estava assim, equilibrando-me entre a alegria e a melancolia, mas sempre contando com o guarda-chuva da poesia para ajudar na minha lenta travessia.


A poesia chegou para mim como um aviso. Um alerta para que eu passasse a olhar as coisas a partir da sua poética intrínseca. Assim, ela disse: a vida pode ser vivida de forma mais leve desde que você se equilibre.


Desde de o início, entretanto, minha poesia mostrou-se crônica. Eu versejava para sobreviver, para suportar a dor existencial que inquietava meu espírito e que me deixava aflito.


Aos poucos, fui fazendo da poesia diário, uma forma de fazer uma poética da minha existencialidade. Fiz da minha existência pulsão est(ética).


Tornei-me, assim, um animal poético.


Daí chegamos aqui, o ponto em que a poesia passou a ser o meu dia-a-dia. Escrever passou a ser uma forma de viver, de me corresponder com o mundo e com meu Eu profundo.


Passei a ser um poeta crônico que fazia da poesia um companhia para enfrentar a realidade que insistia em me perturbar. Da poesia que nascia, ao mundo duro eu resistia. A vida, então, foi ficando macia e, toda aquela agonia eu vertia em versos que jogava para o universo.


Na poesia que foi virando hábito, fui rapidamente habitando, transformando meu cotidiano em uma espécie de livro, libertando-me do crivo cruel dos dias de féu. A poesia crônica foi meu nutritivo mel, meu passaporte para o céu.


Quando dei por mim, estava assim, equilibrando-me entre a alegria e a melancolia, mas sempre contando com o guarda-chuva da poesia para ajudar na minha lenta travessia.


Passei, então, a dormir e a acordar com a poesia.


Rio, 6 de novembro de 2011


por Giovani Miguez

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