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SOU MELHOR QUE ISSO

(crônica autoral)


Sempre que estou tenso, vou até a mercearia lá perto de casa e peço um cerveja, uma cachaça e um pouco de atenção do português que atende no balcão. O papo varia. Ora falamos de política, ora de religião, ora de futebol. O que na verdade tanto faz já que qualquer um dos assunto só alimenta minha depressão. O que vale mesmo a pena é conversar com ele sobre casas na roça, músicas antigas e, é claro, cachaças que existem por esse mundão.


A impressão que o português tem de mim é que eu sou um exagerado em tudo: bebo demais, viajo demais pelas roças e músicas e, sobretudo, sofro demais. Talvez sobre o meu sofrimento ele tenha razão. No mais, sou mediano. Falo demais, mas meu viver é tímido. Disfarço esse meu acanho todo nas histórias que teço de improviso quando estou exercendo meu ofício de prosador. Afinal, não disse Fernando Pessoa, que “todo poeta é um fingidor”?


Sou, entretanto, melhor que isso. Se eu minto para ser aceito nos becos e vielas do meu existir, só consigo ser bem sucedido pois há quem necessite de histórias - mentirosas que sejam - para produzir memórias e ter algo para contar quando a vida parece não valer mais a pena.


22.12.2022


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Foto: Depositphotos


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